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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Licença para inovar

Você trabalha com ou estuda Desenvolvimento de Software? Se sim, permita-me fazer-lhe algumas perguntas!
  • Quantas vezes na sua vida profissional você inventou uma nova licença de código aberto?
  • Quantos sistemas operacionais você já escreveu?
  • Quantos padrões de projeto você já inventou?
  • Quantas linguagens de programação você já quis criar?

Essas perguntas parecem estranhas ou um pouco exageradas? Vamos a outras, então:
  • Quantos projetos de código aberto você já usou? Quantos deles usavam alguma licença?
  • Quantos sistemas operacionais você já usou?
  • Quantos padrões de projeto você já adotou?
  • Em quantas linguagens você já programou?

Com certeza, usamos mais do que criamos. É o esperado, é assim que funciona... Só que, para a gente usar, alguém tem que criar, certo? Alguém com certeza criou tudo isso um dia, e foi aperfeiçoando, e outros ajudaram etc.

Se você achou aquelas perguntas iniciais exageradas, permita-me fazer mais algumas:
  • Quantos conceitos novos você já inventou que se tornaram padrão na internet? Exemplos: blog, wiki, rede social, fórum, microblog, podcast.

  • Quantos conceitos novos você já inventou que mudaram a maneira de a indústria desenvolver software? Exemplos: orientação a objetos, agilidade, arquiteturas de software, programação paralela, programação funcional.

  • Quantas questões filosóficas você já levantou que abalaram estruturas de pensamento aparentemente sólidas? Exemplos: abertura de código, liberdade para trocar de fornecedor, horário de trabalho flexível, tipagem dinâmica, portabilidade de código-objeto, programação em alto nível (sem ser em código de máquina).

Fiquei com vontade de escrever este post após ler este site que o GitHub fez: http://choosealicense.com/. Ele explica de forma muito fácil e rápida as principais licenças de código aberto existentes, para te ajudar a escolher a que for melhor para você e seu projeto.

Eu sempre quis entender melhor esse lance de licenças! Mas sempre tive preguiça de ler textos imensos para entender isso. Esse site resolveu esse problema de maneira perfeita!!


A publicação de uma informação tão útil dessas, no entanto, talvez não tenha rendido nada ao GitHub (pelo menos, não diretamente). A criação do Linux pelo Linus Torvalds talvez não lhe tenha rendido nada diretamente no dia em que ele fez isso. A invenção da Wikipédia talvez não tenha rendido nada diretamente ao Jimmy Wales no mês em que ele fez isso. E, no entanto, todas essas coisas são muito úteis para nós, direta ou indiretamente. E claro que o Linux e a Wikipédia, depois de um tempo, renderam oportunidades de negócio etc.


Muitas vezes, temos uma ânsia por resultados. Queremos trabalhar hoje e ver alguma coisa acontecendo amanhã. Procuramos nos dedicar àquilo que nos dê dinheiro, glória etc.

Você ouve um músico virtuoso tocando e acha aquilo fenomenal, glorioso... Pessoas piram em guitarristas fritando notas em suas guitarras. Mas, exceto se você realmente tiver um interesse grande no assunto, não vai achar nada de fenomenal em ouvi-los fazendo exercícios chatíssimos de dedilhado horas a fio por dia. Ver é chato, ouvir é mais chato (tem um som irritante) e fazer, então, é mais chato ainda!! (obs.: também vale para piano)

Voltando para nossa área, Desenvolvimento de Software. Você lê sobre um conceito novo mirabolante, que funciona muito bem na prática, e acha aquilo fenomenal. Você vê um código limpíssimo e acha aquilo fenomenal. Você vê um discurso ou palestra extremamente bem proferido(a) e acha aquilo fenomenal.

No entanto, não tem muito de fenomenal em gastar horas a fio estudando assuntos teóricos de Computação, consultando palavrinhas novas no dicionário, acertando cada um dos detalhes de uma palestra, corrigindo todos os detalhezinhos de um material de ensino, revisando um texto de trocentas páginas... Também não dá muito IBOPE ficar dias, semanas, meses ou anos refletindo sobre uma questão filosófica super pequena para, enfim, chegar a uma respostinha meia-boca.

Também não vai te tornar alguém mais popular sair dizendo alguma coisa que vá contra aquilo em que todo mundo acredita. Também não vão te subir de cargo porque você passou a madrugada dedicando-se a um projeto pessoal que não tinha a menor chance de virar algo comercial.


Grandes revoluções são feitas por pessoas apaixonadas pelo que fazem. Isso, todo mundo já sabe. Há até um certo culto a isso.

Uma coisa que nem todo mundo fala é o seguinte: só se sai do lugar saindo-se do lugar. Não é repetindo um monte de CRUD todo dia que você vai melhorar alguma coisa na sua área. Não é repetindo erros administrativos do passado que vamos ter organizações funcionando de maneira eficiente. Não é pregando uma coisa e fazendo o contrário na sua própria vida que vamos inspirar de verdade as pessoas.

Tudo está interligado. Enquanto programas horrorosos da TV tiverem altos índices de audiência, pode esperar desenvolvedores medíocres vindo fazer entrevista na sua empresa. Enquanto pessoas de suposto alto nível intelectual continuarem aceitando conteúdo lixo vindo da TV, do rádio, da internet ou de qualquer outra fonte, pode esperar violência no mundo. Enquanto pessoas mostrarem personalidades completamente diferentes dependendo de se estão com mãe, pai, irmãos, namorada(o) ou chefe, pode continuar esperando desavenças no mundo.

Espere coisas boas acontecendo no mundo quando você começar a rejeitar coisas ruins e passar a exigir coisas boas, vindas das pessoas, da TV, da internet, de você mesmo.


Ao visitar o http://choosealicense.com/, senti-me lisonjeado e grato por alguém ter gasto suas preciosas horas para fazer algo que resolveu meu problema. E, ao mesmo tempo, fico muito triste de pensar que pessoas que, neste exato momento, estão gastando preciosas horas para resolver outros importantes problemas do mundo não estão tendo reconhecimento dos colegas. Os colegas geralmente virão até esta listinha de clichês para selecionar alguns e proferir:
  • Meu, c tá loco?
  • Pra quê c tá fazendo isso?
  • Isso aí é só detalhe, foca no que realmente importa
  • Para de gastar tempo com bobagem
Isso é outra coisa manjada... Todo mundo já ouviu falar que quem provoca mudanças escuta essas coisas. E, mesmo assim, as pessoas continuam dizendo essas coisas! Calma aí... Se o cidadão já sabe que esse tipo de fala é um forte indício de que ele está sendo essa pessoa chata, por que continuar falando?


Outra coisa que as pessoas parecem não entender é que, para subir de nível, é preciso subir de nível. A primeira pergunta que eu fiz no post foi: "Quantas vezes na sua vida você já inventou uma nova licença para código aberto?". Inventar uma licença nova de código aberto, convenhamos, é uma coisa bem alto nível! São necessários muitos anos de estudo e trabalho para se chegar a um entendimento do mundo tal que te mova a fazer isso. Vou imaginar aqui uma possível trajetória de algum inventor de licença:
  1. Aprendeu a programar
  2. Aprendeu a trabalhar em um projeto, integrando programas, configurações, ferramentas etc. para criar uma aplicação
  3. Adquiriu experiência em diversos projetos
  4. Escreveu código reusável
  5. Consertou problemas que apareceram
  6. Reusou
  7. Consertou problemas que apareceram
  8. Abriu o código para os colegas
  9. Consertou problemas que apareceram
  10. Abriu o código para o mundo
  11. Consertou problemas que apareceram
  12. Sentiu necessidade de descrever o que podia e o que não podia ser feito com o código
  13. Inventou uma nova licença
  14. Consertou problemas que apareceram
Não é algo que se faz da noite para o dia. E, no entanto, alguém fez. Muitos fizeram. Antes, não existia nada. Com o tempo, muita gente foi trabalhando para que isso acontecesse. Hoje, é fácil olhar para o mundo e perceber que licenças são importantes. Na época, não era fácil perceber isso. Na época, deviam falar um monte para os primeiros que quiseram fazer isso.

E hoje? Em que pontos as pessoas de hoje estão tentando subir de nível e seus colegas estão olhando torto? Quais são os assuntos negligenciados de hoje que serão os pilares da construção do mundo de amanhã e depois?

E você, hoje? O que tem falado para os seus colegas? O que tem feito de realmente novo para mudar o mundo?
  • Está estudando métodos ágeis? Está atrasado: o Manifesto Ágil foi publicado em 2001. Está estudando e aplicando adoção de métodos ágeis na sua empresa? Aí já é mais interessante...

  • Está estudando programação funcional? Está atrasado: linguagens funcionais começaram nos anos 50. E Haskell, uma das mais moderninhas, existe desde 1990. Está estudando e aplicando adoção de programação funcional na sua empresa? Aí já é mais interessante...

  • Está estudando o que torna um programa fácil de entender, evoluir, modificar? Está atrasado: Uncle Bob fala nisso pelo menos desde o ano 2000. Errado! Estuda-se isso desde que o computador existe. Errado! Filósofos gregos estudam isso desde que o discurso existe. Errado! Humanos das cavernas reparam nisso desde que o diálogo existe.

Veja, não estou reduzindo a importância desses assuntos. Eles são muito importantes, e eu adoro todos eles! Só estou dizendo que considerá-los como inovação é algo a ser feito com cautela. Eu acho que a galera se perde um pouco no entendimento dessa palavra... A meu ver, as coisas REALMENTE inovadoras e revolucionárias nem se tem como dizer direito quais são, pois não as conhecemos. São aquelas coisas que ainda vão surgir, são coisas sobre as quais temos apenas vagas ideias e palpites.

Eu tenho os meus palpites... E tenho investido neles.

E você? Imagino que tenha os seus, também... Está investindo neles? Ou está gastando tempo da sua vida lendo blog dos outros :)? Se estiver, pare com isso e vá para o mundo descobrir e viver aquilo em que acredita!


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Enxergando o óbvio


Nego enche a boca pra enfiar palavras em inglês em situações completamente desnecessárias. Gringo - que fala inglês bem melhor que a gente - vem ao Brasil e acha isso ridículo.

Professor sem-noção não tem a menor capacidade de dar uma boa aula e motivar seus alunos. E enche a boca pra falar que é Doutor.

Pessoas comuns escutam verdadeiros insultos, que a indústria fonográfica insiste em chamar de música. E acham isso ótimo. Alguns inclusive obrigam os outros a escutarem também, ao passarem com seus carros barulhentos.

Mídias divulgam conteúdo completamente enviesado, irrelevante, sem nada construtivo, carregado de preconceitos e deseducações. E ganham prêmios de responsabilidade social.

Nego se acha inovador repetindo o que dizem os caras A, B e C - caras que o cara renomado D garantiu que sabem o que estão falando.

Empresas consideram-se na vanguarda da tecnologia mundial porque sabem desenvolver sistemas de software, enquanto nego lá fora tá estudando e desenvolvendo as linguagens de programação que nem existem ainda, as plataformas que nem existem ainda, os conceitos abstratos que nem existem ainda.

Pesquisas científicas gastam milhões para descobrir coisas totalmente irrelevantes, inúteis ou óbvias. ("Cigarro faz mal", "Dormir bem faz bem", "Ser feliz é importante")

Nego escreve um livro tosco e bota mil estrelas em volta disso no currículo. Você vai ler o livro e acha um lixo. Você dá essa sua opinião pra alguém e a pessoa diz que você é que é chato.

Você conhece uma pessoa maravilhosamente competente que estudou numa faculdade particular, e outra pessoa incrivelmente imbecil que estudou numa renomada universidade pública. Essa última faz parte da elite intelectual do país e a primeira não.

Você tenta explicar alguma coisa que basta abrir os olhos para enxergar e é considerado herege porque a sua opinião diverge da opinião da maioria.


A cada dia que passa, três coisas acontecem comigo:
  1. fica mais óbvio pra mim o quão ridículo é tudo isso;
  2. tenho menos paciência com esse tipo de atitude;
  3. fica mais claro pra mim o quanto podemos, como humanidade, ser muito melhores do que isso.


Então, peço licença para parar de tentar enganar a mim mesmo e para dizer algumas coisas óbvias:

Que mania ridícula de usar estrangeirismos à toa.
Que mania ridícula de automaticamente se considerar inferior em tudo.
Que mania ridícula de achar que o que está escrito em livro é automaticamente verdade.
Que mania ridícula de agir de certas formas sem motivo nenhum, só porque "todo mundo sempre fez assim".
Que mania ridícula de valorizar coisas imbecis e discutir assuntos idiotas.
Que mania ridícula que homem tem de falar mal de mulher e mulher tem de falar mal de homem.
Que mania ridícula de achar que "ser desonestinho aqui rapidão" não tem problema nenhum.

(Como eu disse, ando sem paciência, então me desculpem a sinceridade :))

Acha que eu estou enganado? Dê argumentos.
Acha que eu sou maluco? Prove.
Discorda? Sustente uma opinião contrária.

Na boa? Estou de saco cheio de ser mal-visto, mal-interpretado e até considerado "alguém que não sabe o que está falando" por pessoas que nunca sequer pararam pra pensar nos assuntos sobre os quais eu reflito, analiso, discuto e estudo quase todos os dias da minha vida praticamente desde que eu nasci.

Para deixar claro: todas as minhas opiniões são muito bem fundamentadas. Elas têm como base conhecimentos em diversas áreas, sejam formais (computação, música, rádio) ou informais (didática, línguas, psicologia, filosofia), além do convívio constante com pessoas de diferentes áreas de atuação, religiões, origens e pontos de vista.

Isso não quer dizer que as minhas opiniões estejam sempre certas ou que você não possa ter opiniões diferentes. Só quer dizer que elas são válidas, e que outras opiniões também precisam estar fundamentadas. Não adianta dizer que algo não é válido sem explicar os porquês, apresentar uma alternativa ou no mínimo já ter refletido bastante sobre o assunto.

Se nem sempre eu pareço ter muita segurança no que estou falando, é pelo seguinte motivo: porque sei que ainda tenho muito o que aprender. Sei que posso mudar de opinião futuramente e sei que eu posso estar errado. Infelizmente, existe muita gente que se coloca como "aberto a discussão" e no fundo é cabeça-dura, só aceitando o que lhe convém e inventando maneiras de enganar a si mesmo ou de distorcer uma discussão.


Na boa? Se você quer ser inovador de verdade, renomado de verdade, respeitado de verdade, faça o seguinte:
  • Seja você mesmo. Olhe mais pra dentro do que pra fora.

  • Trabalhe no desenvolvimento do seu próprio senso crítico e aprenda a confiar nele. Ouça a todos, mas conclua por si mesmo.

  • Julgue as pessoas não por sua posição, título ou passado, e sim por sua coerência. Verifique se a pessoa vive o que diz, e se o que ela vive é uma coisa boa.

  • Aprenda a sentir as coisas. Existem conhecimentos que você tem duas formas de adquirir: 1) estudar durante 30 anos aplicando modelos estatísticos que comprovem cada detalhe cientificamente; 2) perceber a verdade em minutos apenas com sua intuição.

  • Livre-se dos preconceitos - de todos os que conseguir. Faça-se sempre as seguintes perguntas: 1) Sou eu mesmo que acredito nisso ou eu apenas fui ensinado a acreditar? 2) Eu já acreditei nisso um dia, mas será mesmo que eu ainda acredito hoje?

  • Cerque-se de boas influências. Conheça pessoas inspiradoras, ouça músicas inspiradoras, veja filmes inspiradores, leia histórias inspiradoras. Não me refiro necessariamente a obras motivacionais. Qualquer excelente trabalho é uma excelente fonte de inspiração.


Termino citando este texto, simples e direto, com o qual concordo plenamente, de um site que descobri hoje, o http://www.serprofessoruniversitario.pro.br/:
O Professor Universitário no Brasil é um amador e não um profissional da Educação. Pois em nenhum momento de sua carreira lhe é exigido, ou mesmo facilitado, que adquira conhecimentos e habilidades de Pedagogia e Didática.

As políticas públicas e a legislação sempre enfatizaram como exigência para o acesso à carreira o domínio e profundidade dos conhecimentos na área e matéria que irá ensinar.

Os poucos professores que adquirem essas habilidades e conhecimentos o fazem somente por interesse e iniciativa própria, e assim mesmo tendo que ultrapassar barreiras institucionais até mesmo para reconhecer as qualificações obtidas.


[posts relacionados: Inovação: isso é um absurdo!, Versão brasileira: Herbert Richers]

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Inovação: isso é um absurdo!


Em algum lugar de um mundo com mentes limitadas...
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Neste exato momento, tem gente por aí botando a palavra "cool" nas frases e se achando superdescolado por isso.

Neste exato momento, tem gente achando que teoria não serve pra nada.

Também tem pessoas tachando de chato qualquer cidadão que dê qualquer ideia diferente do que elas estão acostumadas a ouvir. Geralmente, sem nem prestar atenção direito no que o cidadão disse.

Tem pessoas que reclamavam que seus pais não as escutavam, que se achavam os donos da verdade. Essas mesmas pessoas, às vezes, se acham hoje as donas da verdade, mas sem perceber, porque é em outros assuntos, não os mesmos dos seus pais.

Tem gente que é tão contra alguma "verdade absoluta X" que acredita que "é absolutamente verdade que X é mentira".

Tem gente que insiste que tal coisa é verdade. Tem gente que insiste que tal coisa é mentira. Tem gente que fica a vida inteira discutindo se certas coisas são ou não verdade ou mentira.



Enquanto isso, em algum lugar do mesmo mundo...
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Tem gente que não tá nem aí para "o que é verdade ou não", "o que é socialmente isso ou aquilo". Tem gente que está fazendo. Tem gente que enxerga caminhos e os segue, e não perde tempo com críticas destrutivas ou falta de fé de outras pessoas.

Tem gente que percebeu que julgar preconceituosamente não serve pra nada, só desperdiça energia e incomoda os outros. Tem gente que percebeu que não precisa incomodar os outros para ser feliz.

Teve gente, décadas atrás, que teve ideias fantásticas, do tipo criar programas de computador encadeáveis para processar arquivos, de modo que a saída de um programa pudesse ser direcionada para a entrada do outro. Assim, tornou-se fácil realizar tarefas complexas encaixando peças simples. Inicialmente, essas pessoas, provavelmente, não tiveram muitos argumentos para convencer os outros do porquê de aquilo ser uma excelente ideia. Elas apenas enxergaram, e fizeram assim. Décadas depois, continua sendo uma excelente ideia, funcionando em todo sistema UNIX e Linux do mundo.

Tem ideias que estão começando hoje. Tem ideias excelentes começando hoje. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, muitas dessas excelentes ideias não vão parecer, hoje, excelentes ideias. Provavelmente, parecerão ideias esquisitas, fora da realidade. Porque inovação é sempre assim. Inovar é fazer de um jeito novo, e jeitos novos não são consolidados. Se você quer algo consolidado, você não quer algo novo, você quer algo antigo, já consolidado.

  • "Ah, mas hoje a tendência é X, tá todo mundo seguindo pra X!"

Pois é. Justamente porque todo mundo começou a seguir pra X, o tal do X deixou de ser algo realmente novo e começou a se tornar consolidado. Quer procurar algo novo MESMO? Dê uma olhada no Y, que NÃO é a tendência e para o qual ninguém está dando muita bola hoje.

Não pense que a inovação de hoje é igual a inovação de ontem. Não pense que é só trilhar o mesmo caminho de Steve Jobs e você estará inovando. Steve Jobs inovou em muitas coisas, revolucionou muitas coisas e transformou nosso mundo. InovOU, revolucionOU, transformOU, no tempo pretérito. É claro que podemos aprender muito com ele, mas não pense que a próxima grande revolução mundial vai ser um iCoisa. iCoisas já foram inventadas, já estão em uso, já são consolidadas.

As próximas grandes inovações MESMO, na verdade, a gente mal tem ideia do que serão. Serão coisas grandiosas demais para a gente conceber facilmente nos dias de hoje. Serão coisas que não vão simplesmente vender milhões: vão mudar nossos paradigmas mais profundos.

Ou talvez essa mudança não será tão aparente e avassaladora. Uma inovação grandiosa nem sempre causa tanto estardalhaço, às vezes ela é um pouco mais discreta. Exemplo: quem diria, mais ou menos 10 anos atrás, que um site com a pretensão de conter o conhecimento do mundo inteiro, feito pelos usuários, com conteúdo de qualidade, grátis e SEM PROPAGANDA pudesse dar certo?

Os caras que propuseram um trem desses, em pleno fim da bolha da internet, "com certeza estão doidões de pedra" (frase que eles devem ter ouvido na época). Jamais funcionaria um negócio desses. E funcionou. A Wikipedia tem hoje 20 milhões de artigos em 270 línguas e é o 6º site com maior audiência do mundo. E os doidões de pedra tornaram-se casos de sucesso mundiais. E o projeto deles tornou-se uma realidade consolidada, uma contribuição imensurável para a humanidade, ajudando pessoas do mundo inteiro a ganhar e compartilhar conhecimento.

E um site que prentedesse organizar a informação da internet inteira? Um serviço que permitisse ao usuário encontrar exatamente o que ele quisesse, na internet inteira? Em um mercado dominado por grandes empresas como Yahoo!, AltaVista e outras? É claro que não iria dar certo, é claro que a ideia era um absurdo. Mas só foi um absurdo até o momento em que começou a dar um lucro absurdo e se tornar o maior e mais eficiente site de buscas do mundo.

Pense nos absurdos de hoje. Faça esse exercício, comece a prestar mais atenção nos absurdos que você vê e ouve no seu dia-a-dia. Alguns deles podem vir a não ser tão absurdos assim.

Pense nas Wikipedias de amanhã, nos Googles de amanhã. Pense nas suas ideias de hoje, pense nas suas invenções de amanhã. Suas invenções podem ser em qualquer área, em qualquer coisa. Dei exemplos na Computação apenas porque está mais próximo de mim. Qualquer área está sempre pronta para ser reinventada. Qualquer coisa está sempre pronta para ser refeita melhor.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Seja você mesmo, na hora certa

Falem, fis!! Aí vai o esperado segundo post do blog! Esse ficou grande, hehe. Aliás, vão se acostumando :).
-=-=-=-=-

À tarde assisti a uma palestra sobre criatividade: o que torna uma pessoa criativa; o sistema educacional precário que não desenvolve as pessoas; como libertar o cérebro das limitações impostas; repressão que existe às novas idéias; coisas assim. Nussa, e eu lá só curtindo a pipoqueira mental proporcionada, muito bem-vinda logo hoje em que iria postar no blog :)!

Na verdade nenhum desses assuntos me foi novidade. Essas e outras coisas pouco comuns pra maioria das pessoas são extremamente recorrentes pra mim. Quem conhece bem o Fi sabe que ele é a exceção da exceção, aquele que faz todas aquelas coisas que achavam que ninguém fosse fazer (tanto coisa boa quanto cagada, hehe), como esse esquema aí de desenvolver a criatividade, algo a que fico atento diariamente.

O negócio é que essa coisa de idéias novas, criativas e diferentes funciona muito bem quando você está no seu mundinho: as suas idéias, na sua cabeça. Ou mesmo quando você bate um papo-cabeça com os seus trutas de anos e anos de amizade. Agora, o que me diz de quando essas idéias recém-nascidas e inexperientes vão sair pro mundo e andar com os próprios pés, cruzando por aí com as já bem vividas idéias comuns de milhões de pessoas?

É óbvio que a "balança" pende. Alguém poderia pensar: "mas blz, o negócio é não se reprimir, ser você mesmo, respeitar e ser respeitado e conviver numa boa!". Mas nem, isso nem rola, véio... Vai tentar ser o transparente num mundo de capas pretas!!!

Não é assim que funciona. Como o cara da palestra disse, o sistema vive impondo limites à sua criatividade, e você não precisa fazer parte disso. Você pode se libertar desses limites e dar asas à sua imaginação. Até aí tudo bem, é uma boa fazer isso mesmo! Agora, a coisa vai um pouco além... Não dá pra simplesmente ignorar o mundo, tipo, "ser você mesmo e foda-se". Digo isso porque eu já tentei essa abordagem, e posso dizer que ela dá merda :P!

Os visionários e os ambiciosos pregam que tudo é possível. Talvez seja, mas certamente nem tudo vale a pena! Tem coisa que pra conseguir seria tão complicado e geraria tão poucos frutos que simplesmente não compensa.

Uma dessas coisas é compartilhar suas grandes idéias com quem não sabe aproveitá-las. Meu, de boa... A grande maioria das pessoas é (e sempre será) um bando de manés vivendo sob os ridículos limites do sistema. E nem eu nem você vamos mudar isso. É igual tentar trocar idéia com cabeçudo: nego finca umas idéia sem-noção na cabeça e nem sequer considera a hipótese de estar enganado - e é deprimente levar esse tipo de coisa adiante.

Mudanças pontuais existem, e são muito importantes. Você certamente conseguirá aprender e ensinar um porre de coisa para alguns amigos seus, o que é extremamente proveitoso!! Mas fora isso, em boa parte do tempo o negócio é ficar na sua mesmo. De vez em quando surgirão boas oportunidades pra você mostrar sua cara e conteúdo, e aí vc manda ver! Só que precisa de paciência, porque isso em geral demora bastante, hehe...


Bom, acredito que essa conversa toda seja pouca ou nenhuma novidade pra muita gente aqui. Mas pra mim é algo bem recente. Talvez essas "desilusões com a humanidade" da vida sejam por eu botar esperança demais nela, o que aliás é um possível assunto para um próximo post, hehe... :)