domingo, 17 de agosto de 2014

Lição de casa

Se você quer ser um bom programador/desenvolvedor, tem que fazer a lição de casa.
Se você quer ser um bom músico, tem que fazer a lição de casa.
Se você quer ter uma boa saúde, tem que fazer a lição de casa.

O que significa fazer a lição de casa? Sempre escutei essa frase e fiquei pensando o que ela significaria exatamente.

Lembra quando você era mais jovem e sempre tinha lição de casa para fazer? Lembra como era a sensação? Lembra quanto trabalho dava? Lembra quanto você tinha que se esforçar e ter disciplina para conseguir terminar as lições de casa?

Isso tudo é a parte chata. Ela é bem tangível, é fácil de perceber e dá até para medir em horas. E a parte boa, você consegue perceber, lembrar, medir?

Geralmente, essa parte boa é mais intangível. Lições de casa servem para treinar você para te deixar mais apto a realizar alguma atividade, como programar ou tocar música. Não é muito fácil perceber a relação entre a atividade ficar mais fácil e ter feito a lição de casa. É porque esse processo costuma ser bem gradual. Demora. É indireto.

Uma coisa engraçada e comum é a gente achar que começou a conseguir fazer alguma coisa magicamente, sem se lembrar de quanta lição de casa teve que fazer para chegar lá. Psicólogos devem ouvir isso direto do paciente: "Nossa, agora estou conseguindo tal coisa que antes eu não conseguia! Nem sei o que aconteceu!". Mas o psicólogo sabe muito bem o que aconteceu: meses de trabalho e de dedicação do psicoterapeuta e do paciente! Acontece com fonoaudiólogos, também. Acontece com musicoterapeutas, também.

Eu já plantei algumas árvores, mas nunca cuidei de uma até vê-la crescer (um dia ainda vou fazer isso). Mas tenho percebido que a natureza, especialmente o reino vegetal, nos tem muito a ensinar. Todo mundo sabe que uma árvore não cresce da noite para o dia. Todo mundo sabe que ela leva muito tempo para crescer. O que nem todo mundo sabe é que:
  • nem toda semente germina
  • nem toda semente germinada vira uma plantinha
  • nem toda plantinha sobrevive
  • nem toda sobrevivente se desenvolve
  • nem toda terra já está fértil o suficiente
  • nem toda adubação dá certo
  • nem toda árvore frutifica
  • nem todo fruto é doce
  • nem todo fruto ficará para você (os bichos também terão interesse nele)
  • nem toda solução para os bichos é saudável (agrotóxico aí, alguém?)
  • nem todo mundo fica tempo o suficiente no mesmo lugar para colher os frutos

Ou seja: tem um monte de coisas que podem dar errado no meio do processo. Quem trabalha na roça sabe, e um dia ainda vou trocar uma ideia com essas pessoas, pois sinto que elas tem um nível de conhecimento tácito da vida que a gente da cidade nem imagina. Sinto que essas pessoas sabem aceitar a vida de uma maneira que a gente nem sonha.

Bom, e como se faz para se chegar ao fruto doce da árvore? Imagine que você, que eu acredito que não entenda muito de agricultura, invente de plantar uma macieira para um dia colher doces maçãs. O que você teria que fazer?

A primeira coisa que eu imagino seria estudar sobre macieiras. Que tipo de solo seria bom para elas? Que tipo de adubo é o mais adequado? Que tipo de clima? Quanto de água é necessário por dia? Onde se conseguem mudas? É melhor plantar por muda ou por semente?

Só aí já te daria um bom trabalho. Essa seria sua lição de casa. Talvez essa lição de casa já fosse tão complicada e te deixasse tão confuso que você preferisse começar com algo mais simples, como feijão. Quase todos nós já plantamos um feijãozinho na escola. Você já plantou algum e chegou a colher as sementes e cozinhá-las para o almoço? Se você nunca fez isso, recomendo fazer! A sensação é maravilhosa!

Então, você resolveu começar com o feijão. Você decidiu que a macieira ainda não é para você, pois é uma árvore grande, demora, exige muitos cuidados, muito estudo etc. E olha que maçã se encontra de monte no supermercado! Parece uma coisa extremamente simples e banal. É importante distinguir: simples é uma coisa; fácil é outra!

Ou seja: na verdade, o que parecia ser lição de casa não era lição de casa, era trabalho para quem já tivesse mais experiência. Que programador iniciante nunca sonhou em trabalhar num grande sistema cheio de funcionalidades divertidas, como um jogo super avançado? Que programador iniciante algum dia já deu conta de fazer isso?

Para quem é da nossa área, a lição de casa geralmente não é um sistemão complexo e super divertido: nossa lição de casa é aquele programinha besta que o professor passou para você fazer, é aquela ordenaçãozinha de vetores, é aquela classezinha simples, é aquele diagraminha de classes simplificadão... São coisas que a gente dá conta de fazer e que vão construindo nosso conhecimento aos poucos. Quando é possível dar um salto mais longo, a gente faz isso, e é legal! Quando não é possível, a gente dá aqueles passinhos pequenos, às vezes desanimadores, às vezes despercebidos, que um dia se juntam com outros e se transformam num salto gigantesco, impossível de ser dado de uma vez só.

"Plantar feijão??? Tá louco, compra no supermercado!", talvez diga muita gente. Para o feijão estar bonitinho e ensacadinho no supermercado, alguém teve que trabalhar muito. "Alguéns", na verdade: um plantou, o outro regou, o outro colheu, o outro ensacou, o outro carregou, o outro colocou na gôndola... Todas essas coisas são pequenos passos para se atingir um resultado aparentemente tão simples quanto ter um feijão à disposição para ser comprado. É a partir de cada passo desse que vamos evoluindo. Tenha a certeza de que pessoas de sucesso fizeram suas lições de casa. Ninguém faz um negócio gigante da noite para o dia, tendo "sorte". Não existe sorte. Existe construção do seu destino.

É verdade que nem todas as pessoas de sucesso fizeram literalmente suas lições de casa. Muitas abandonaram a escola ou a faculdade. Isso é porque elas não viam valor nesses meios e preferiram tentar outros caminhos. É uma saída arriscada, eu diria; coisa para quem tem estômago suficiente para assumir as consequências. Porém, a lição de casa foi feita do mesmo jeito. Só que foram outras lições, fora da escola ou da faculdade. Um grande vendedor não começou vendendo grandes produtos para grandes clientes. Ele começou vendendo coisas simples na lojinha do bairro, clipes na papelaria, chaveiros na rua, pão na padaria etc. Ele teve que fazer a lição de casa assim como todo mundo, ele apenas escolheu quais seriam suas lições, e assumiu as consequências disso.

"E eu, o que eu tenho que fazer?". Você tem que encontrar essa resposta em você mesmo. Existem diversos caminhos, um deles é a faculdade, outro é o mercado de trabalho, outro é o autodidatismo... Cada um tem vantagens e desvantagens, e é possível seguir mais de um. Mas uma coisa eu te garanto: em qualquer caminho que você seguir, mais autônomo ou menos autônomo, mais perto de casa ou mais longe de casa, mais conservador ou mais arrojado, você vai ter que fazer a lição de casa.


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Padrão, sim; padrão, não.

Agora, muita microempresa não é mais microempresa, é tudo estartape.
Agora, muita foto de rosto não é mais foto de rosto, é tudo desenhinho bonitinho de rosto padronizado.
Agora, muito logotipo não é mais autoral, é tudo logotipo bonitinho padronizado.
Agora, muita gente dá feedback de tudo.
Agora, muita empresa põe no site um slogan bonito de missão social na página inicial.
Agora, muita empresa não tem mais site, tem fanpage.

Não que essas coisas estejam erradas. Se eu dissesse isso, seria até hipocrisia, já que:

Eu também digo palavras em inglês
Eu também já fiz desenhinho padronizado em site e usei como foto
Eu também aprecio feedback
Eu acho que é importante, sim, as empresas terem missões
Eu tive Facebook

O que eu questiono, na verdade, é o seguinte: essas coisas todas estão assim porque as pessoas realmente gostam e querem que estejam assim, ou as coisas estão assim só porque virou o padrão e agora todo mundo sente que tem que seguir, querendo ou não?

As pessoas realmente estão apreciando mais o tal do feedback ou elas estão simplesmente se sentindo obrigadas a falar sobre isso?

As pessoas que põem fotos de rosto padronizadas em seus perfis realmente se sentem bem fazendo isso ou elas vêem que muita gente faz e só por isso fazem também?

As empresas que dedicam tempo a manterem suas fanpages no Facebook fazem isso porque realmente mediram resultados e concluíram que ajuda nas vendas ou simplesmente começaram a fazer porque todo mundo estava fazendo ou porque o Gartner falou que tinha que fazer?

São perguntas difíceis de responder... Não há uma resposta única que sirva para todos os casos. Nem existe uma resposta pronta. Cada um precisa refletir e chegar à sua própria leitura.

Pessoalmente, no meu caso, a língua é o fator que mais me chama a atenção. Por exemplo, quando eu leio a palavra "gamificação", sempre me vem primeiro a leitura "gâmi-ficação", porque foi assim que eu aprendi a ler na escola. É claro que muita gente, ao me ouvir falando "gâmi-ficação", vai me dizer: "A pronúncia correta é gueimificação".

A questão que mais me interessa não é essa palavra, nem qual é sua leitura correta, nem qual é sua escrita correta. Só estou pegando esse exemplo para levantar a seguinte reflexão:
  • Quem determinou que essa é a pronúncia correta?
  • Com que base? 
  • Quais são os ganhos?
  • Quais são as perdas?

Bom, a palavra veio do inglês, gamification. Quando alguém acredita que "gamificação" seja a melhor tradução para o português, essa pessoa está automaticamente valorizando mais a proximidade com a palavra original em inglês do que as regras fonéticas de sua própria língua.

Seria como escrever um código inválido na linguagem do seu sistema só para quebrar o galho de um problema imediato e depois sair tentando convencer todos os compiladores do mundo a compilar aquilo sem reclamar. Você concorda com essa comparação?

Fazer isso seria uma atitude aceitável? Não sei, mas, provavelmente, não daria em nada... Os desenvolvedores de compiladores dariam risada de quem pedisse isso.

E se, em vez disso, eles concordassem em alterar seus compiladores? Aí, pronto! Teríamos uma solução mais simples para nosso problema imediato daquele dia.

(Mais simples?)

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Licença para inovar

Você trabalha com ou estuda Desenvolvimento de Software? Se sim, permita-me fazer-lhe algumas perguntas!
  • Quantas vezes na sua vida profissional você inventou uma nova licença de código aberto?
  • Quantos sistemas operacionais você já escreveu?
  • Quantos padrões de projeto você já inventou?
  • Quantas linguagens de programação você já quis criar?

Essas perguntas parecem estranhas ou um pouco exageradas? Vamos a outras, então:
  • Quantos projetos de código aberto você já usou? Quantos deles usavam alguma licença?
  • Quantos sistemas operacionais você já usou?
  • Quantos padrões de projeto você já adotou?
  • Em quantas linguagens você já programou?

Com certeza, usamos mais do que criamos. É o esperado, é assim que funciona... Só que, para a gente usar, alguém tem que criar, certo? Alguém com certeza criou tudo isso um dia, e foi aperfeiçoando, e outros ajudaram etc.

Se você achou aquelas perguntas iniciais exageradas, permita-me fazer mais algumas:
  • Quantos conceitos novos você já inventou que se tornaram padrão na internet? Exemplos: blog, wiki, rede social, fórum, microblog, podcast.

  • Quantos conceitos novos você já inventou que mudaram a maneira de a indústria desenvolver software? Exemplos: orientação a objetos, agilidade, arquiteturas de software, programação paralela, programação funcional.

  • Quantas questões filosóficas você já levantou que abalaram estruturas de pensamento aparentemente sólidas? Exemplos: abertura de código, liberdade para trocar de fornecedor, horário de trabalho flexível, tipagem dinâmica, portabilidade de código-objeto, programação em alto nível (sem ser em código de máquina).

Fiquei com vontade de escrever este post após ler este site que o GitHub fez: http://choosealicense.com/. Ele explica de forma muito fácil e rápida as principais licenças de código aberto existentes, para te ajudar a escolher a que for melhor para você e seu projeto.

Eu sempre quis entender melhor esse lance de licenças! Mas sempre tive preguiça de ler textos imensos para entender isso. Esse site resolveu esse problema de maneira perfeita!!


A publicação de uma informação tão útil dessas, no entanto, talvez não tenha rendido nada ao GitHub (pelo menos, não diretamente). A criação do Linux pelo Linus Torvalds talvez não lhe tenha rendido nada diretamente no dia em que ele fez isso. A invenção da Wikipédia talvez não tenha rendido nada diretamente ao Jimmy Wales no mês em que ele fez isso. E, no entanto, todas essas coisas são muito úteis para nós, direta ou indiretamente. E claro que o Linux e a Wikipédia, depois de um tempo, renderam oportunidades de negócio etc.


Muitas vezes, temos uma ânsia por resultados. Queremos trabalhar hoje e ver alguma coisa acontecendo amanhã. Procuramos nos dedicar àquilo que nos dê dinheiro, glória etc.

Você ouve um músico virtuoso tocando e acha aquilo fenomenal, glorioso... Pessoas piram em guitarristas fritando notas em suas guitarras. Mas, exceto se você realmente tiver um interesse grande no assunto, não vai achar nada de fenomenal em ouvi-los fazendo exercícios chatíssimos de dedilhado horas a fio por dia. Ver é chato, ouvir é mais chato (tem um som irritante) e fazer, então, é mais chato ainda!! (obs.: também vale para piano)

Voltando para nossa área, Desenvolvimento de Software. Você lê sobre um conceito novo mirabolante, que funciona muito bem na prática, e acha aquilo fenomenal. Você vê um código limpíssimo e acha aquilo fenomenal. Você vê um discurso ou palestra extremamente bem proferido(a) e acha aquilo fenomenal.

No entanto, não tem muito de fenomenal em gastar horas a fio estudando assuntos teóricos de Computação, consultando palavrinhas novas no dicionário, acertando cada um dos detalhes de uma palestra, corrigindo todos os detalhezinhos de um material de ensino, revisando um texto de trocentas páginas... Também não dá muito IBOPE ficar dias, semanas, meses ou anos refletindo sobre uma questão filosófica super pequena para, enfim, chegar a uma respostinha meia-boca.

Também não vai te tornar alguém mais popular sair dizendo alguma coisa que vá contra aquilo em que todo mundo acredita. Também não vão te subir de cargo porque você passou a madrugada dedicando-se a um projeto pessoal que não tinha a menor chance de virar algo comercial.


Grandes revoluções são feitas por pessoas apaixonadas pelo que fazem. Isso, todo mundo já sabe. Há até um certo culto a isso.

Uma coisa que nem todo mundo fala é o seguinte: só se sai do lugar saindo-se do lugar. Não é repetindo um monte de CRUD todo dia que você vai melhorar alguma coisa na sua área. Não é repetindo erros administrativos do passado que vamos ter organizações funcionando de maneira eficiente. Não é pregando uma coisa e fazendo o contrário na sua própria vida que vamos inspirar de verdade as pessoas.

Tudo está interligado. Enquanto programas horrorosos da TV tiverem altos índices de audiência, pode esperar desenvolvedores medíocres vindo fazer entrevista na sua empresa. Enquanto pessoas de suposto alto nível intelectual continuarem aceitando conteúdo lixo vindo da TV, do rádio, da internet ou de qualquer outra fonte, pode esperar violência no mundo. Enquanto pessoas mostrarem personalidades completamente diferentes dependendo de se estão com mãe, pai, irmãos, namorada(o) ou chefe, pode continuar esperando desavenças no mundo.

Espere coisas boas acontecendo no mundo quando você começar a rejeitar coisas ruins e passar a exigir coisas boas, vindas das pessoas, da TV, da internet, de você mesmo.


Ao visitar o http://choosealicense.com/, senti-me lisonjeado e grato por alguém ter gasto suas preciosas horas para fazer algo que resolveu meu problema. E, ao mesmo tempo, fico muito triste de pensar que pessoas que, neste exato momento, estão gastando preciosas horas para resolver outros importantes problemas do mundo não estão tendo reconhecimento dos colegas. Os colegas geralmente virão até esta listinha de clichês para selecionar alguns e proferir:
  • Meu, c tá loco?
  • Pra quê c tá fazendo isso?
  • Isso aí é só detalhe, foca no que realmente importa
  • Para de gastar tempo com bobagem
Isso é outra coisa manjada... Todo mundo já ouviu falar que quem provoca mudanças escuta essas coisas. E, mesmo assim, as pessoas continuam dizendo essas coisas! Calma aí... Se o cidadão já sabe que esse tipo de fala é um forte indício de que ele está sendo essa pessoa chata, por que continuar falando?


Outra coisa que as pessoas parecem não entender é que, para subir de nível, é preciso subir de nível. A primeira pergunta que eu fiz no post foi: "Quantas vezes na sua vida você já inventou uma nova licença para código aberto?". Inventar uma licença nova de código aberto, convenhamos, é uma coisa bem alto nível! São necessários muitos anos de estudo e trabalho para se chegar a um entendimento do mundo tal que te mova a fazer isso. Vou imaginar aqui uma possível trajetória de algum inventor de licença:
  1. Aprendeu a programar
  2. Aprendeu a trabalhar em um projeto, integrando programas, configurações, ferramentas etc. para criar uma aplicação
  3. Adquiriu experiência em diversos projetos
  4. Escreveu código reusável
  5. Consertou problemas que apareceram
  6. Reusou
  7. Consertou problemas que apareceram
  8. Abriu o código para os colegas
  9. Consertou problemas que apareceram
  10. Abriu o código para o mundo
  11. Consertou problemas que apareceram
  12. Sentiu necessidade de descrever o que podia e o que não podia ser feito com o código
  13. Inventou uma nova licença
  14. Consertou problemas que apareceram
Não é algo que se faz da noite para o dia. E, no entanto, alguém fez. Muitos fizeram. Antes, não existia nada. Com o tempo, muita gente foi trabalhando para que isso acontecesse. Hoje, é fácil olhar para o mundo e perceber que licenças são importantes. Na época, não era fácil perceber isso. Na época, deviam falar um monte para os primeiros que quiseram fazer isso.

E hoje? Em que pontos as pessoas de hoje estão tentando subir de nível e seus colegas estão olhando torto? Quais são os assuntos negligenciados de hoje que serão os pilares da construção do mundo de amanhã e depois?

E você, hoje? O que tem falado para os seus colegas? O que tem feito de realmente novo para mudar o mundo?
  • Está estudando métodos ágeis? Está atrasado: o Manifesto Ágil foi publicado em 2001. Está estudando e aplicando adoção de métodos ágeis na sua empresa? Aí já é mais interessante...

  • Está estudando programação funcional? Está atrasado: linguagens funcionais começaram nos anos 50. E Haskell, uma das mais moderninhas, existe desde 1990. Está estudando e aplicando adoção de programação funcional na sua empresa? Aí já é mais interessante...

  • Está estudando o que torna um programa fácil de entender, evoluir, modificar? Está atrasado: Uncle Bob fala nisso pelo menos desde o ano 2000. Errado! Estuda-se isso desde que o computador existe. Errado! Filósofos gregos estudam isso desde que o discurso existe. Errado! Humanos das cavernas reparam nisso desde que o diálogo existe.

Veja, não estou reduzindo a importância desses assuntos. Eles são muito importantes, e eu adoro todos eles! Só estou dizendo que considerá-los como inovação é algo a ser feito com cautela. Eu acho que a galera se perde um pouco no entendimento dessa palavra... A meu ver, as coisas REALMENTE inovadoras e revolucionárias nem se tem como dizer direito quais são, pois não as conhecemos. São aquelas coisas que ainda vão surgir, são coisas sobre as quais temos apenas vagas ideias e palpites.

Eu tenho os meus palpites... E tenho investido neles.

E você? Imagino que tenha os seus, também... Está investindo neles? Ou está gastando tempo da sua vida lendo blog dos outros :)? Se estiver, pare com isso e vá para o mundo descobrir e viver aquilo em que acredita!


sábado, 25 de maio de 2013

Pastas

Eu adoro pastas! Pastas organizam nossa vida.

Aprendi, num curso de memorização e concentração que eu fiz, que organizar é fundamental. Organizar aumenta nossa eficiência. Organizar ajuda-nos a ter foco.

Nos últimos dias, senti uma diferença enorme aqui em casa após organizar algumas tralhas, tipo móveis e objetos de cozinha. A sensação é muito boa. Sinto-me muito mais leve, muito mais livre para pensar em outras coisas.

Mas vamos às pastas!


Esta é a minha "coleção" de pastas, que eu uso para organizar tudo quanto é papel. Comprei a maioria delas há alguns anos, quase todas na Kalunga. Mas muitas outras papelarias as têm. Cada uma tem seu uso. Vamos a algumas delas!


Esta é uma pasta sanfonada conhecida por alguns como porta-cheque. Em vez de guardar cheques nelas, guardo cupons fiscais, comprovantes e tudo o mais de pequeno que aparece todo mês.



Esta é uma pasta sanfonada conhecida por alguns como porta-duplicata. Duplicata, até onde eu sei, é uma parada contábil, tipo nota promissória. Mas eu não guardo duplicatas nela. Em vez disso, guardo as contas de cada mês e outras despesas com manutenção do imóvel. Ela é mais alta do que a porta-cheque, tornando-a apropriada para essa finalidade.



Esta é uma pasta com elástico, normal. Uso-a para coisas médicas: exames, receitas etc.


Essa é uma pasta com um nome legal: polionda! Lembra-me bastante da escola. Ela é mais alta, larga, comprida e espessa do que a média. Isso torna-a ótima para guardar, por exemplo, recordações! Ou outras coisas que exigem mais espaço.




Essa é uma pasta sanfonada de papel cartão, numerada de 1 a 31 e "letrada" de A a Z. Ela é mais pesadona e resistente. Acho que essa foi a primeira que eu comprei, uns 4 anos atrás. Sabe aqueles manuais de instruções e notas fiscais de produtos, que você quer guardar, mas não sabe onde? Agora, já sabe! Esse tipo de pasta praticamente nasceu para isso. Você também pode guardar diplomas, certificados, documentação de empregos etc. Você indexa o que quer pela letra inicial e depois acha tudo fácil, sem grilo. É igual sistema web bem feito: escala!



Esta é a pasta em L. É provavelmente a minha favorita! Serve para proteger e juntar papéis, além de ser ótima para "causar uma boa impressão", dando uma aparência profissional quando você vai entregar documentos para alguém. Além dessa finalidade, ela também pode ser usada para agrupar documentos relacionados, para depois ser guardada na gaveta ou mesmo dentro da pasta sanfonada de A a Z. Assim, você facilita ainda mais localizar o que precisa.



Essa minha admiração por pastas nasceu da minha necessidade de organizar meus papéis. Sempre achei um absurdo acumular um monte deles e nunca achar o que eu precisava. Isso, na minha opinião, era viver o pior dos dois mundos: encheção de saco por juntar papel + encheção de saco por não achar papel.

Um belo dia me liguei: "Véio... Eu sou computeiro. Como é que pode eu saber organizar gigabytes de informação, de forma a poderem ser encontrados eficientemente, e não dou conta de fazer o mesmo com simples papéis?". Com o tempo, fui percebendo que o lance que rege a organização eficiente de dados no computador é o mesmo do mundo físico. Resumidamente, pode-se dizer que é: indexação, regras simples e árvore de conhecimento. Indexar é usar índices para localizar o que se quer. Regras simples são coisas tipo "tal tipo de coisa está em tal lugar, ponto". E árvore, para quem não está acostumado com o conceito, é tipo assim: o documento tal está dentro da pasta em L, que está na letra tal da pasta sanfonada, e a pasta sanfonada está na gaveta tal, dentro do armário tal. Você primeiro acessa o armário, depois a gaveta, depois a pasta sanfonada, depois a letra daquela pasta, depois acha a pasta em L e depois acha, finalmente, o documento. Essa organização reduz o tempo de busca para uma quantidade grande de documentos. É igualzinho ao que um Sistema Gerenciador de Bancos de Dados faz no computador.


Bom, este foi um post bem diferente, escrito mais rápido e com menos revisão!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Ludificação de formiguinha

Ludificação é o uso de técnicas de design de jogos que utilizam mecânicas de jogos e pensamentos orientados a jogos para enriquecer contextos diversos normalmente não relacionados a jogos.
Para quem não conhecia, taí o significado de ludificação.

Para quem já conhecia a ideia, possivelmente conhecia-a com seu nome em inglês: gamification.

Meu ouvido já tinha sido "presenteado" com a incrível tradução "gamificação". Quer dizer: o cidadão tem a manha de usar duas línguas diferentes na mesma palavra. Jogou a fonética no lixo, deu uma bicuda na clareza, estraçalhou a acessibilidade. Como se o nosso ouvido fosse pinico.

Já o outro cidadão, um tal de Jaccoud (usuário da Wikipédia), traduziu brilhantemente a palavra gamification para o português, resultando nesse termo preciso e bonito: ludificação!

Estou maravilhado... Não tenho palavras para descrever minha felicidade! Havia muito tempo que eu pensava em um possível jeito de expressar essa ideia em português decentemente, e nada me vinha à cabeça... Agora, já posso fazer isso!

Quem é frequentador assíduo aqui, ou me acompanha no twitter, ou mesmo - por que não? - conhece-me pessoalmente, sabe o quanto eu curto a língua portuguesa e o quanto milito seu uso correto. Aliás, eu milito o uso correto da língua inglesa também (principalmente pronúncia) . Aliás, eu milito o uso correto de qualquer coisa!!

Não acho que estejamos no mundo a passeio. Não acho que "tudo bem" sair fazendo tudo de qualquer jeito. Não acho que "ihhh, isso aí não é nada". Acho que tudo conta. TUDO! Você sabe o que é tudo? Eu também não :)! Também nunca conheci o verdadeiro tamanho e abrangência de "tudo". Mas tudo bem. Até onde "tudo" for, continuo acreditando que tudo conta.

Também acredito no seguinte: estamos no mundo para aprender. Aprender = aprender a fazer as coisas certo, direito, decentemente, como preferir (olha só, temos três opções!). E isso começa pelas palavras que saem de nossas bocas. Aliás, começa antes: nos pensamentos que passam por nossas cabeças. No entanto, essa parte de vigiar os pensamentos é mais difícil, exige mais trabalho e dedicação para aprimoramento. Então, nem precisamos ir tão longe. Podemos começar pelas palavras fisicamente ditas, mesmo.

Você quer fazer desse mundo um mundo melhor? Garanto a você que você não vai conseguir começar já de cara acabando com toda a fome, salvando todas as baleias, preservando todas as árvores, zerando a violência. Talvez você consiga, sim, fazer alguma dessas coisas, ou até todas elas! Mas não vai ser logo no começo. No começo, você dará passinhos de formiga. Você fará coisas que não dão IBOPE. Você fará coisas tontas, coisas para as quais poucas pessoas darão valor, coisas que parecerão ter pouca influência, porque terão pouca influência mesmo! Verdade seja dita.

A questão é que a pouca influência de hoje é a muita influência de amanhã, caso você siga trabalhando nos seus sonhos. O trabalho de formiguinha de hoje pode evoluir, caso você dedique-se a isso. E esse trabalho evoluído, experiente, esse sim, fará diferenças grandes no mundo.

Quando eu defendo os detalhes, não estou de brincadeira. Quando eu digo coisas que sei que a maioria das pessoas acha besteira, sei muito bem que a maioria das pessoas acha que é besteira. Sabe por quê elas acham isso? Porque talvez seja, mesmo! Talvez seja, hoje. Mas a besteirinha de hoje é a questão mundialmente importante de amanhã.

Será que o senhor de terras que inventou de começar a tratar humanamente seus escravos estava apenas perdendo tempo e dinheiro lá no século sei lá o quê? Será que o índio que sabia usar bem a Terra sem detoná-la estava sendo retrógrado, e aí chegaram os europeus e "ensinaram a eles o jeito certo de fazer"? Será que o agricultor que foi contra a adoção de agrotóxicos na década de 70 estava doidinho de pedra? Ou será que essa galera toda apenas fazia o que sentia estar correto e acreditava ser o melhor? E hoje, em pleno 2013, essas atitudes "ultrapassadas, esquisitas e malucas" não são parte do sonho da humanidade atual? Movimentos pelo fim do trabalho escravo, pesquisas de manejo sustentável, agricultura orgânica... Você acha que a galera dessas áreas está de brincadeira?

Será que a vanguarda do mundo está mesmo dentro de circuitos eletrônicos integrados? Ou está nas pessoas, sendo que algumas delas fazem circuitos? Pessoas, essas, que poderiam fazer quaisquer outras coisas. Não seriam os eletrônicos apenas fruto do nosso contexto atual, sem nenhuma obrigação de continuarem sendo no futuro?


Eu sei que eu vivo batendo nas mesmas teclas já faz um bom tempo. E talvez eu esteja sendo repetitivo. Peço desculpas se for o caso. Eu só repito essas ideias porque continuo sentindo que elas são importantes, e até um tanto urgentes. Gostaria muito de saber o que você, caro leitor, acha disso tudo. Se puder deixar um comentário, agradeço! Concordando, discordando ou acrescentando, sua opinião será bem-vinda.


sexta-feira, 19 de abril de 2013

A Matrix dos Antenados

Existe em mim uma sensação constante que é a seguinte: eu sinto que o mundo se acha demais.

Eu canso, literalmente, de ouvir que estamos super tecnologicamente avançados, que "as coisas estão muito fáceis hoje em dia", que "o futuro chegou", bla bla bla. Na minha área (Computação), o contato com essa ideia é meio que natural, afinal, supostamente lidamos com o tal do "avanço da tecnologia" e talz.

Eu nunca sei direito se eu é que sou chato ou não, mas eu acho essa conversa toda uma tremenda baboseira... Na minha opinião, estamos longíssimos disso. Estamos longíssimos de estar super avançados. Estamos longíssimos de já termos resolvido tantos problemas assim do mundo e de as coisas estarem fáceis como dizem que estão.

Talvez eu não seja chato, e sim exigente. Talvez eu apenas considere como "não mais do que a obrigação do ser humano" o que para alguns é considerado avançado. Essa talvez seja a minha maneira de enxergar as coisas.

Por exemplo: existem zilhões de ciências e áreas do conhecimento nesse mundo. Quantas delas a gente já domina? Quantas delas existem há décadas, séculos, milênios, e a gente simplesmente desconhece, ignora ou apenas não aplica em nossas vidas? Quanta coisa a gente já sabe mas ainda não consegue fazer? Quanta coisa a gente não sabe? Quanta coisa a gente nem sabe que não sabe?

Imagine quantas pessoas no passado já não tiveram problemas similares aos que a gente enfrenta hoje e já os resolveram de formas incríveis, e nós nunca saberemos. Será que às vezes não nos falta humildade ao falar sobre as pessoas do passado? Será que eles eram mesmo tão burros quanto a gente às vezes acha que eram? Ou será que eles nunca puderam se defender de nossas críticas, e na verdade muitos deles eram muito inteligentes e faziam coisas louváveis?


Voltando às diversas áreas do conhecimento... Pegue-se como exemplo. Quantas áreas você conhece? Quantas delas você pratica no seu dia-a-dia? Chuto que algumas unidades ou dezenas, certo?

Vamos supor que você seja computeiro e também goste de música, viagens, futebol, culinária e literatura. Então, você conseguiu pensar aí em umas cinco áreas de interesse suas (pode haver mais, mas você brevemente listou essas). Aí eu pergunto: quanto de música você conhece? Quantos estilos musicais você consegue enumerar e quantos deles você escuta no dia-a-dia? Quantas viagens você já fez na vida? Quantos por cento do mundo você já conheceu? A quantas Copas do Mundo você assistiu, quantos diferentes tipos de comida você conhece, quantos diferentes gêneros literários de quantas línguas diferentes você aprecia rotineiramente?

Provavelmente, a resposta para essas perguntas será "alguns/algumas". Muito bem.

No geral, conhecemos alguma coisa do que existe no mundo. Temos tempo hábil para conhecer somente parte do que existe.

Assim, soa-me pretensão demais querer dizer alguma coisa a respeito do mundo inteiro, querer generalizar, manja? "Todo mundo gosta de tal coisa", "Todo mundo pensa de tal forma", "Ninguém faz mais tal coisa", "Tal ideia já morreu", "Tal costume morreu", "Hoje em dia tudo está da forma X, Y, Z".

Estas são algumas ideias um tanto questionáveis que eu já ouvi, direta ou indiretamente:
  • Todo mundo tem smartphone
  • Todo mundo no Brasil deveria aprender inglês em vez de português
  • Todo mundo é viciado em café
  • Todo mundo tem que ter facebook
  • Todo mundo quer é dinheiro
  • CD/DVD/Blu-ray/mídia física já morreu
  • Computador desktop já morreu
  • Rádio já morreu, agora é só pela internet

Fiz agora uma pequena busca de dados estatísticos. Aí vai, para refletir:

Botando um pouco mais de lenha na fogueira:

As pesquisas citadas já tem algum tempo, mas creio que ainda estejam próximas da realidade atual. Caso alguém discorde, convido a buscar dados mais recentes.



Como eu dizia, acho bastante questionáveis as ideias mencionadas acima. E acho que mais gente deveria questioná-las também.

Algumas pessoas expõem essas ideias explicitamente. Outras fazem de outra forma, que eu considero pior: passam adiante essas ideias implicitamente. É esquisito pensar desta forma, mas existem pessoas que, por meio de suas atitudes, parecem querer ditar aos outros que caminhos eles devem seguir.

Pára tudo, meu.

O mundo é diverso, por definição. Toda vez que você tenta colocar tudo o que existe nele dentro de uma caixinha minúscula, você tenta sufocar o que nele há de mais belo. Que história é essa de "todo mundo faz tal coisa", "todo mundo deixa de fazer tal coisa"? Por acaso você conhece o mundo inteiro para poder afirmar isso? Ou você só ouviu isso por aí e saiu repetindo? Ou você "leu na Veja"? Ou você "leu no ${site-mega-confiável-internacional-em-que-o-fulanão-escreve}"?

Onde é que está a interpretação individual do mundo aí, gente? Que negócio é esse de ficar dizendo que "tal pessoa ou tal site falou" e parar por aí? Quer dizer que, se o Obama amanhã resolver acordar e dizer que cocaína faz bem, vai faltar traficante para atender a nova demanda de droga no mundo?

Pára tudo, meu.

Eu acho isso tudo muito doido. Eu fico muito perdido diante dessas coisas. Onde as pessoas estão procurando suas verdades, seus valores, suas crenças, suas ideias próprias? Na internet? No Google?  Em vez de ir procurar em suas próprias cabeças, em seu próprio âmago? Deixa eu ver se eu entendi: tem uma galera enorme apostando todas as fichas no que lê pela internet, sendo essa às vezes a mesma galera que depois chama de alienado quem assiste ao Jornal Nacional? É isso mesmo? Eu entendi direito?

Eu juro para vocês que eu fico me questionando quase todos os dias sobre essas coisas. Porque eu acho isso tudo uma ideia muito absurda. Mas, ao mesmo tempo, todos os dias eu tenho a mesma sensação e percepção de que, sim, é isso mesmo que está acontecendo, por mais bizarra que pareça a ideia.

Vejo gente considerando-se inovadora e fechando os olhos para qualquer ideia que não se encaixe naquilo que ela já ouviu por aí. Vejo gente considerando-se politizada e rejeitando uma simples conversa sobre qualquer ideia de que ela discorde. Vejo gente considerando-se acadêmica e não tendo a menor capacidade de lidar com o processo de aprendizado das outras pessoas.

E agora peço licença para entrar no...

<modo-politicamente-incorreto>
Eu acho ridículo uma pessoa brasileira, nascida no Brasil, falante de português, ficar conversando em inglês com outros brasileiros, ficar escrevendo frasezinhas em inglês em twitter ou facebook (exceto quando houver real intenção de que seja lida por um estrangeiro).

Eu acho um absurdo a pessoa, no meio do discurso, em português, para brasileiros, enfiar palavras como overview, deadline, range no meio das frases, quando existem traduções exatas para essas palavras: visão geral, prazo/data-limite, intervalo. Se você não sabia, agora já sabe, então já pode começar a usá-las!

Existe um preconceito gigantesco e generalizado contra o nosso idioma, muito provavelmente motivado pelo sentimento colonial que ainda existe na sociedade. As pessoas acham que inglês tem muito mais palavras muito mais apropriadas para tudo, ao mesmo tempo em que desconhecem parte enorme do vocabulário tão rico e belo da nossa própria língua.

Não estou dizendo que é assim o tempo todo. Eu sei que existem muitas palavras em inglês sem tradução exata para o português, e sei que na Computação é praticamente impossível evitar algumas palavras em inglês. Porém, repare que isso não tem nada a ver com enfiar os tontos dos overview, deadline, range e outros no meio das frases. Isso não passa de vício de linguagem, falando o português claro. Isso só complica o entendimento e dá uma falsa sensação de chiqueza. Fazer isso não é saber inglês, é não saber português!!

Pronto, agora vamos sair do...
</modo-politicamente-incorreto>

Como eu estava dizendo, as pessoas precisam ter a capacidade de (e serem incentivadas a) pensarem com seus próprios neurônios. O mundo está cheio de conhecimento, mas nada disso tem nenhum valor se você não fizer nada com esse conhecimento. A vida só acontece mesmo quando você pega o que aprende e transforma em algo de verdade para a sua vida e para as das outras pessoas. Essa transformação pode ser já diretamente em algo concreto, ou pode ser mais interna, ideológica.

O lance é: não adianta nada você aprender um monte de regrinhas gramaticais se você continuar escrevendo a vida inteira sem usá-las, assim como não adianta nada (se você for computeiro) ouvir falar toda hora que programação funcional é muito legal sem nunca tentar escrever código usando funções de verdade. Assim como não adianta nada você ouvir falar que cereais fazem bem à saúde e nunca incluí-los na sua alimentação, assim como não adianta nada você saber que exercícios físicos fazem bem e ficar sedentário a vida inteira.

Aplicar os conhecimentos teóricos na prática não é fácil, na maioria das vezes. Porém, algumas vezes, é, sim, fácil! E, em todas as vezes, vai ficando fácil com o tempo. O grande lance não é o quão fácil é, e sim o quanto você sai ganhando quando faz isso. Transformar conhecimentos em realidade é algo que não tem preço. É algo que traz uma satisfação que não pode ser colocada em palavras. Ver resultados baseados em esforço baseado em aprendizado é simplesmente a razão pela qual estamos aqui na Terra.

Você que é desenvolvedor... Lembra quando o professor de Orientação a Objetos falou sobre encapsulamento, coesão, acoplamento? Lembra o quanto aquilo soou abstrato e/ou viajado e/ou inútil? E depois de alguns anos, quando você adquiriu mais experiência e viu esses conceitos acontecendo na vida real, em projetos reais, no dia-a-dia real de uma empresa? Não foi divertido, interessante, recompensador? Não é legal ver as coisas acontecendo de verdade, aquelas coisas que pareciam lindas na teoria e que você viu que também podem ser lindas na prática?

Bom, e quais coisas da teoria podem ser aplicadas na prática? Sei lá! Muitas delas. Para saber, só tentando. Em vez de somente retuitar notícias e ideias, por que também não tuitar suas próprias notícias e ideias? Por que não criar conhecimento, em vez de apenas repassar? Por que não tentar aplicar novos conhecimentos na sua vida prática do dia-a-dia? Tipo aquela ideia maluca que você teve e lhe soou tão interessante, sem qualquer motivo aparente?

Por que não pegar as ideias aqui contidas e sair tentando aplicar por aí, para então ver se elas fazem sentido ou não para você? Eu sou o André, e para mim faz todo o sentido, mas você não é o André, você é o/a (seu nome aqui). Você pode ter experiências completamente diferentes das minhas... Ou não! Só testando para saber. E eu, André, tenho muita curiosidade de conhecer diferentes experiências, então, se você fizer isso, por favor, deixe um comentário aí abaixo dizendo como foi! Ou, mesmo se você não quiser aplicar nada e apenas deixar um comentário dizendo o que achou disso tudo, faça isso por gentileza, ficarei grato!


terça-feira, 26 de março de 2013

Valer a pena vale a pena?

Saudações, caro(a) visitante!

Após alguns meses de inatividade, estou de volta :)!

Vim para dizer o seguinte: hoje tive um dia diferente.

No dia de hoje, eu decidi fazer algumas coisas de maneira diferente de como eu vinha fazendo:

  • Fui resolver umas coisas na cidade. Mesmo isso tomando meu tempo.
  • Lavei e coloquei em uso uma panela nova que eu comprei há mais de um mês. Mesmo isso tomando meu tempo.
  • Organizei notas fiscais de algumas coisas que eu comprei. Mesmo isso tomando meu tempo.
  • Revirei uma caixa procurando umas canecas. Mesmo isso tomando meu tempo.
  • Medi a capacidade em mL dessas canecas, por pura curiosidade. Mesmo isso tomando meu tempo.
  • Fiquei olhando panelas da hora na internet. Simplesmente porque eu tava a fim.
  • Olhei alguns netbooks na internet. Simplesmente porque eu tava a fim.
Já são meia-noite e tanto. E eu estou aqui blogando. E daqui a pouco vou abrir meu computador para retirar uma peça defeituosa, porque amanhã vou no correio levá-la para que seja devolvida à loja. Mesmo isso tomando meu tempo, hoje e amanhã.

De uns anos pra cá, não sei por quê, eu criei uma espécie de aversão à ideia de perder tempo. Eu botei na cabeça que tempo era algo precioso demais para ser desperdiçado com coisas que não valessem a pena.

Eu sempre acreditei que tudo que a gente faz na vida deveria valer a pena. Do contrário, talvez não valesse a pena fazê-las. Lógica simples essa, né? Se vale a pena, vale a pena! Se não vale a pena, ixe, aí nem vale a pena :)!

É uma lógica simples e ao mesmo tempo perigosa. Ela esconde uma conclusão precipitada dizendo o seguinte: "André... Não desperdice seu tempo fazendo coisas que não valham a pena".

A intenção é boa, mas o resultado nem é.

A vida é feita de muitas coisas de que a gente não gosta. Isso é um tanto óbvio. O que não era óbvio para mim era que eu estava, e estou, RODEADO, CERCADO de coisas assim. Não é pouca coisa! Tá CHEIO de coisas que eu preciso fazer que eu acho um SACO fazer, que eu ODEIO gastar tempo fazendo, que eu ODEIO pensar que eu sou obrigado a fazer. E, no entanto, eu sou obrigado a fazer.

Saber que você tem obrigação de trabalhar é fácil. Difícil é perceber, e aceitar, que você tem obrigação de fazer as pequenas tarefinhas do dia-a-dia, como lavar a louça, lavar roupa, arrumar a casa, manter a ordem... Alguns gostam mais, outros gostam menos desse tipo de coisa. Eu sou um caso interessante: eu ADORO ver tudo em ordem, gosto muito mesmo, valorizo pra caramba... Mas geralmente acho um saco BOTAR as coisas em ordem.

...será mesmo?

Será que eu acho um saco? Em geral, eu curto pra caramba botar coisas em ordem! Então por que será que com coisas domésticas eu acho um saco? Por que será que eu andei achando um saco ter que fazer todas essas tarefinhas que eu tive e tenho que fazer, principalmente devido à mudança de residência?

Sinto que finalmente encontrei a resposta... O problema é que eu queria ser EFICIENTE fazendo isso, eu queria ser RÁPIDO fazendo isso, eu queria ME SENTIR BEM fazendo isso... Resumindo, eu queria que VALESSE A PENA fazer isso!!

E percebi que esperar as coisas valerem a pena nem sempre vale a pena... Às vezes vale mais a pena fazê-las mesmo não valendo a pena. Elas em si talvez não valham a pena, mas O RESULTADO de ter as coisas feitas, esse sim, vale a pena!

Esse aí vale o sacrifício de ir dormir tarde, vale a encheção de vencer a preguiça, o cansaço, a inércia e a procrastinação. E foi isso que eu consegui fazer hoje, de maneira ainda pequena. Eu consegui fazer pequenas coisas que eu estava ligeiramente a fim de fazer. E só consegui porque eu FIZ E PRONTO, em vez de pensar nas consequências, em vez de avaliar riscos, em vez de colocar "no papel" pra ver se valia ou não a pena.

Às vezes é melhor aceitarmos as coisas ruins e abraçarmo-las, por mais estranho que isso pareça. As vezes as coisas ruins não são tão ruins assim, elas apenas parecem assim porque a gente olha para elas com um olhar meio equivocado. Às vezes, abraçar a causa que você não queria simplesmente porque você é obrigado pode ser uma coisa boa. Às vezes, um fim nobre exige trilhar um caminho nada nobre. Às vezes, é melhor ficar quieto e aceitar o trabalho chato para atingir o fim legal.