quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Epifania do mês de setembro

Uns tempos atrás eu comecei a pensar... Cara. Eu sou um cara inteligente, que ia mó bem na escola e talz. Um belo dia (qdo entrei na faculdade), eu vi que a coisa não seria mais tão simples quanto ir na aula, aprender a matéria quase que "de graça" e ir bem. Eu ia ter que começar a estudar. Só que eu nunca tinha feito muito disso antes na minha vida. Escola pra mim sempre foi muito fácil, e isso me tornou meio que vagal.

Pois bem. Hoje em dia eu estou longe de ser aquela coisa de "o melhor da turma" e talz. Sou apenas um aluno razoavelmente bom, apesar de sentir que tenho um grande potencial (pouco aproveitado e talz). E eu quero um dia prestar um concurso e virar docente na universidade. Mas espera-se que quem entra seja meio que "o melhor da turma", eu mesmo penso isso, pois é o cara que merece ir pra lá, é pra ser aquele que será o que melhor exercerá sua futura profissão (afinal um concurso serve pra selecionar os melhores).

Só que eu num to nessa de estudar tudo isso pra ser o melhor não. E aí? Será que numa dessas alguém vai "passar na minha frente" e eu vou "ficar pra trás" (e aquela coisa toda dessas expressões que eu acho toscas pq refletem uma competição, que na verdade infelizmente existe e é inevitável)? Será que eu não deveria ter estudado tudo aquilo que eu poderia, e ter sido ao menos o melhor que eu mesmo poderia ter sido? Será que eu não deveria ter aproveitado melhor o meu potencial, ter levado tudo mais a sério, ter aprendido mais do que o necessário, ter sido que nem o Banco Real e "feito mais que o possível"?

Bom... Eu penso que todo tipo de questionamento que comece com "E se eu tivesse..." não faz bem à saúde :)! E tenho conseguido aplicar essa minha idéia, e não ficar encanando com esse tipo de pensamento e talz. Mas ainda assim continuei curioso com essa questão aí de o quanto eu estudei... Será que teria sido melhor se eu tivesse feito isso?

Bom, é fácil concluir que com certeza eu seria uma pessoa muito diferente do que eu sou hoje. Seria uma pessoa MAIS introvertida, com MENOS amigos e MAIS sem-noção do que eu já sou :P!! Hoje eu tenho um pouquinho de tudo isso, mas tudo está num nível totalmente controlado e satisfatório pra mim (ou seja, tô de boa). E só está assim graças às ações que eu venho tomando desde vários anos atrás para reverter o quadro desses problemas aí. Algo que demandou tempo, determinação, paciência, dedicação, e até mesmo estudo, se for pensar. Afinal, todo mundo sabe que mudar não é nada fácil.

Mas até aí essas coisas são muito óbvias, ainda não tinha graça pra mim :P... Eu queria saber mais... Queria saber se talvez, ainda assim, essas coisas tivessem menos importância (até certo ponto) do que eu atingir rapidamente e eficientemente o meu objetivo de dar aulas na universidade, fazer pesquisa etc etc. Cronologicamente, eu poderia já ter terminado o mestrado ou mesmo estar no meio do doutorado. Se eu tivesse me formado no final de 2006 (como era a previsão) e feito a chamada "trilha", já seria mestre há quase um ano. Ou ainda se eu nem tivesse feito trilha mas tivesse entrado direto no doutorado em 2007, já estaria quase indo pro terceiro dos seus quatro anos, isso com 22 anos de idade!!

Oh!!! Uau!!! Que lindo!! Que inspirador!! Que grande motivo de orgulho e "seachismo" isso daria, que história legal para contar pros amigos dos pais e avós, e pra todas as pessoas que adoram ouvir essas parada de "histórias de sucesso".

Bom, sei que eu não me contentaria só com a "glória" e talz. Mas eu me contentaria SIM com já estar fazendo pesquisa no talo, e sabendo fazer bem! Estaria no esquema para prestar algum concurso e em breve me tornar um grande professor... Daqueles que te inspiram, manja? É esse tipo de cara que eu quero ser!

Mas pois bem... Voltando à minha epifania :).

Conheço vários professores desse tipo que são O CARA/A MUIÉ em pesquisa, fazem n trabalhos em conjunto com universidades do exterior, fizeram doutorado/pós-doutorado lá nas europa, e outros grandes feitos constantes nos respectivos Lattes.

Um desses é uma pessoa que eu admiro... por um lado. Por um lado, esta pessoa incentiva vc a pesquisar, incentiva vc a fazer tudo direitinho, incentiva vc a participar da aula... E é um puta pesquisador já há não sei quantos anos, sempre fazendo altos trabalhos com o mundo inteiro e tudo o mais.

Por outro lado, para outras coisas mais simples, é um ser altamente chato :P!! E até aí alguém poderia dizer "Bom, não se pode tetudo na vida!". Mas aí eu digo pra vc: meu... Eu é que não queria ser assim. Do tipo que faz certas coisas tão desnecessárias, como algumas grosseriazinhas bestas com as pessoas... Coisas que provavelmente a pessoa faz pq acha que assim é a melhor forma, e talvez até fosse num mundo ideal. Mas NÃO É no mundo real. No mundo real as coisas não são perfeitas. No mundo real, merda acontece. E no mundo real a gente tem que aprender a conviver com as merdas, tem que aceitar que nem tudo sempre precisa sair como a gente quer, e que às vezes compensa mais vc relaxar uma de suas neuras simplesmente para ser gentil com algum aluno, sem com isso perder o seu "padrão de qualidade".

E foi então que eu percebi... Manja aquele momento quase que em câmera lenta, quando vc tem aquela iluminação profunda? Percebi que simplesmente... Não era daquele jeito que eu queria ser :)!! Não é para ficar daquele jeito que eu gostaria de ter investido tanto estudo, dedicação e renúncia de outras coisas da minha vida. E que fatalmente seria isso que iria acontecer se eu o tivesse feito!

Se eu tivesse deixado de olhar em largura para a minha vida (alerta de expressão computeira!!) - ou seja, olhar para os aspectos mais humanos da minha vida -, eu não só seria um cara mais introvertido, com menos amigos e mais sem-noção do que o que eu já sou como ainda por cima SERIA UM MAU PROFESSOR!!!!!! (Putz, que péssimo negócio esse hein :P)

É, José... Vejo que eu fiz a escolha certa! Vejo que o fato de eu ter olhado para os lados na minha vida, o fato de eu ter ouvido algumas críticas que me faziam, o fato de eu ter acreditado na sabedoria intuitiva daquela voz que vinha de dentro, que me dizia que a vida era muito mais do que o que eu fazia na época (ficar em casa, jogar videogame, ficar na internet e outras coisas nerds)... Vejo que o fato de eu ter feito isso não só me tornou uma pessoa melhor como também está aos poucos me tornando um profissional melhor. Um cara com visão, com noção do mundo, com condições de falar com os futuros alunos de igual pra igual, não como um cara que simplesmente manja mais e que o que acha é o certo e acabou. Ou como um cara que é firmeza, que aceita opiniões contrárias e talz, mas que não sabe se expressar direito, não sabe como tornar um assunto interessante, não sabe cativar as pessoas, simplesmente pq não entende "como que alguém consegue não gostar de um assunto interessantíssimo como o da aula de hoje"!!

Como todo mundo, já tive muitos professores muito bons e muito professor zoado. Aprendi muito com todos eles. Com os zoados aprendi o que NÃO fazer ao dar uma aula :P... Com os bons aprendi o que fazer e aprendi muito bem a matéria. E tenho neles a minha eterna inspiração e gratidão, por terem me ensinado, por terem me motivado e por terem me feito acreditar que aquilo tudo que era difícil e/ou chato de estudar era importante. Porque era mesmo! Eu só não enxergava isso naquele momento.

É um DESSES que eu quero ser quando crescer :)...

3 comentários:

Lehilton disse...

Um post altamente biográfico e autocrítico! Poisé Barnabé, tem muitos professores que deveriam ler isso...

Japa disse...

Acho que o highlight do post foi o 'tetudo', pena eu não poder usar a expressão todo dia. Massa o post. Sugestão random: larga tudo e vem ver as eslavas! Abraço

A.C. disse...

Eita, doutorado com 22? \o/ uhahuahu.. mas experiência própria, às vezes é mlhor fazer as coisas no tempo certo, para se ter vida de fato, hoje em dia penso que poderia ter demorado mais um ano para entrar na faculdade e ter curtido mais antes... mas, são as opções que a gente faz né?! =P

frase clichê que eu amo: Você faz as suas escolhas e suas escolhas fazem você.